Courtney Barnett, melhor amiga de todos e sempre

Postado por Srta. J em 2 de abril de 2016

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Sei que é tarde, mas, sinceramente, o tempo corre diferente para coelhos, especialmente, quando se trata de música. Quando descobrimos o novo profeta da geração costumamos entrar em loopings que contabilizam translações até conseguirmos desvendar a grande revelação por trás do álbum mais perfeito do ano de 2015!

Para mim, essa preciosidade é o Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit de Courtney Barnett!!! Pode-se notar, como é necessário escutá-lo.

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link para streaming do álbum no youtube

E se o tempo corre diferente para coelhos, também corre para Courtney. Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit comprime o tempo, especificamente, duas décadas: 1990 e 2000. Quem é um saudoso grunge vai amar, quem é saudoso do indie rock em suas origens também vai amar. Tem guitarras – mais de uma muitas vezes – rápidas, fortes e distorcidas (bandas de três guitarras **) e também há fingerpicking!

Quem é fã de Velvet vai amar, quem é fã de Dylan vai amar. Até porque Courtney, além de comprimir tempo, comprime vida. Toda canção de Courtney é apresentação da verdade através da exploração exaustiva do detalhe. Embora o seu som seja meio grunge, meio indie, meio folk, o que importa em Barnett é que ela faz música para millenials e estávamos precisando disso, do nosso Cohen, do nosso Cobain, do nosso Bowie.

Notem que só falei em homens, enquanto Courtney é mulher. Há muito tempo se vê cantoras somente como intérpretes. E agora tempos Barnett, Jessica Pratt, Angel Olsen, Laura Marling, Alanis Morissette, Björk, Josephine Foster, Cat Power, Lorde, Aurora, Scout Niblett, Sharon Van Etten e estamos resgatando Sibylle Baier, Karen Dalton, Vashti Bunyan, Linda Perhacs, Elizabeth Cotton – simplesmente, a mulher que compôs o maior clássico folk norte americano, Freight Train – e a musa-deusa–ser-que-ilumina-e-guia-nossas-vidas, Patti Smith. Há mulheres escrevendo e compondo música e sempre teve mulheres escrevendo e compondo música.

Mas, como estava falando, Courtney faz música para a geração Y – e essa geração tem Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), sorry, gente! Isso porque Courtney também tem TDAH e sua música parece fluxo de consciência arranjada para 4/4 ou menos. Ela fala de tudo que nos atinge e que torna nossa vida tão caótica que cortou o link de compreensão com a geração de nossos pais: “não, não teremos nossa casa própria aos 30”, Courtney fala sobre isso em Depreston: “if you’ve got a spare half a million /You could knock it down and start rebuildin”, ela fala também sobre o outro mal da nossa geração: a síndrome de impostor, “put me on a pedestal and I’ll only disappoint” em Pedestrian at best que também pode ser, simplesmente, uma música sobre o fracasso – quem nunca? -, e ainda tem a música sobre o mal-estar da rotina e a depressão: He said “I think you’re projecting the way that you’re feeling/ I’m not suicidal, just idling insignificantly/ I come up here for perception and clarity/I like to imagine I’m playing SimCity em Elevator Operator.

Bem, definitivamente este é o meu álbum preferido de 2015 (sim, eu sei que teve Cohen e Elza-rainha-Soares). E continuarei em looping por um bom tempo, embora Courtney já tenha dados sinais de que esse ano talvez venha outro.